Seg, 06 de Setembro de 2010
Formalizada a instalação de sede do Ipea em Belém
Sáb, 06 de Março de 2010 00:00    PDF Imprimir E-mail

O Pará não pode pretender adotar aqui o mesmo modelo industrial de São Paulo, que é um Estado altamente industrializado. O que o Pará deve buscar, inclusive no tocante à indústria de alimentos, é a criação de produtos sofisticados e a agregação de valor em todas as suas cadeias produtivas.
A afirmação foi feita ontem, em Belém, pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. Ele e a governadora Ana Júlia assinaram um acordo que formaliza e amplia a cooperação técnica já existente hoje entre o Ipea e o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp).

A cerimônia aconteceu pela manhã, no auditório do Banco da Amazônia.
Por esse acordo, ficou também acertada a instalação, em Belém, da sede regional do Ipea, a primeira representação do Instituto fora de sua sede, em Brasília. A unidade funcionará em espaço cedido pelo Idesp. Da cerimônia participaram, além da governadora e do presidente do Ipea, o secretário de Governo, Edilson Rodrigues de Sousa, o ex-secretário chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, o presidente do Idesp, José Raimundo Trindade, e o presidente do Banco da Amazônia, Abidias Júnior.

DESENVOLVIMENTO

Segundo Pochmann, o desenvolvimento da Amazônia não pode ser bitolado pela simples produção e exportação de madeiras e commodities, inclusive as minerais. “A Amazônia deve protagonizar outra forma de desenvolvimento, buscando um modelo que compatibilize sustentabilidade, agregação de valor e geração de riqueza com distribuição de renda”. Esse modelo, conforme frisou, não se materializa do dia para a noite e requer como pré-condição o desenvolvimento assentado no conhecimento, com elevação do nível de escolaridade.

Pochmann afirmou ainda, ao comentar os projetos do governo para construção de hidrelétricas na Região Norte, que a Amazônia ocupa uma posição muito importante na economia brasileira. Segundoele, a matriz energética do Brasil é uma das mais limpas do mundo, condição esta que o governo não pode perder de vista em seus investimentos na Amazônia.

No tocante aos empreendimentos destinados à geração de energia, ele defendeu a criação de mecanismos de compensação financeira e a possibilidade, já em estudo pelo Ministério da Pesca, da implantação de projetos de piscicultura associados à utilização dos recursos hídricos.

PALESTRA

O presidente do Ipea proferiu ainda uma palestra em que ressaltou a importância dos Estados da Região Norte e a necessidade de se planejar o desenvolvimento. O evento compôs mais uma edição do ciclo de debates “Diálogos sobre o Desenvolvimento”, tendo como tema as políticas públicas e o desenvolvimento regional. Ao ouvir do presidente do Ipea a afirmação de que é preciso planejar o desenvolvimento, Ana Júlia bateu forte nos ex-governantes que a antecederam no cargo.

Segundo Márcio Pochmann, existe hoje a perspectiva de que, dentro de seis anos, o Brasil possa ter superado o nível de pobreza extrema, em que ainda vive parte de sua população, e se equipare em nível de renda aos países desenvolvidos. E é nesse cenário, segundo Márcio

Pochmann, que se torna necessária a ousadia dos governantes para garantir a expansão econômica com total garantia de inclusão social e de sustentabilidade econômica. “Só o que nos constrange hoje é o medo de ousar”.

Última atualização ( Sáb, 06 de Março de 2010 13:24 )
 
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